Quando lua nova,
Aquela curiosa
Que espreita e provoca,
Coloca tudo sob prova.
Mas quem sonha noite a noite
É a lua crescente.
Vive longe do presente
E se guia pela mente.
A lua cheia quando brilha,
A todos ilumina,
Transmitindo sabedoria
Que acumulou durante a vida.
A minguante está serena
E já sabe que não é eterna,
Mas de si não sente pena
Porque um dia foi repleta.
Perspectiva do autor
Talvez o que nos limite são as caixas em que escolhemos nos colocar. Quem sabe o que nos torna normais ou comuns (isto é, não-especiais), seja porque tentamos ser especialistas. Forçarmo-nos a ser extraordinários em uma única habilidade, silenciamos todos os nossos outros potenciais e portanto, tornamo-nos normais (ordinários). Porque, se pararmos para pensar, somos todos divinos e assim, omnipotentes. Todos temos a capacidade de ser o que quer que seja. Então porquê é tão difícil encontrarmos talentos/vocações em nós mesmos? Porquê nos sentimos tão não-especiais? Porquê duvidamos de qualquer lapso de habilidade que apareça e nos sentimos fraudes? Se é verdade que somos omnipotentes (e isso é um facto), porquê é tão incrédulo e surpreendente descobrir um talento? E porquê é tão difícil aceitá-lo? E quando temos mais de uma habilidade, sentimo-nos medíocres ou razoáveis. Não devíamos, supostamente poder fazer tudo? Então escolhemos uma missão de nos especializar em uma habilidade e suprimir o resto. E assim, nos tornamos comuns, normais e realizados. Só que não percebemos que cada um de nós é capaz de ser e de se apresentar de infinitas maneiras, numa só vida.
S.N.
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| Imagem: By Deizi Maronez Conrad, via Wikimedia Commons |

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